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sábado, 6 de agosto de 2011

Aquele que Deus não criou

Sinto me o gelo a neve o incolor,
o muro ,a porta entreaberta,
o Vento na rua soprando gelado nas costas do aleijado .

Sou os cantos e a poeira,
sou cantigas simples,besteira,
sou a penumbra dos vales,
e nos mais calmo dos mares
sou a escuma que se desfaz.

Sou incerteza de mulher,
sou a poça d´agua que molha o pé,
e o vento que bagunça os cabelos penteados das moças vaidosas.

sou a traição distração de namorados,
sou tijolos que aindam quebrados
se fazem castelos ,minha morada.

E se um pouco a mais de fúria,
sem evasivas ou frescura,
seria a lepra contagiosa,
seria a gorda feia horrorosa
debruçada a janela sorrindo dos dentes pra fora.

Homem sou,
em toda sua rusticidade,força.covardias..
algo de imperfido,imoral,e egoísta
nas mentiras..no choro miúdo apertado,calado,
em tentativas falias de surpreender.

Sou herdeira que não herdara,
sonhador que esqueceu de sonhar,
reino partido,espírito banido,
coração ferido ,semblante sombrio caído..

Uma velha,vela a se apagar
ranzismo inercia ,mais nada a tentar,
Meus olhos pra cima,se queimam ao sol,
sou fim de ferias,pipa com cerol.


Serei eu as flores nos túmulos a secar,
sou a dor da mãe ,sangrando a chorar,
sou o silencio o vácuo que paira no ar,
sou a árvore queimada ,que não florescera.

Já desembainhei a Bainha que corta fulminante,
já desarmei meus medos,
me despi dos segredos,olhei me em instantes,
paralisei,chorei,surtei ,olhei,calei,
a roupa suja no chão ,a cama desforrada o espelho quebrado,
abajour ligado no armário,
tudo parte do mais miserável cenário,
daquele que não foi milagre ,amor ou amado..
e sim mais um poema desalmado.

Onde ele se risca,onde ele se corta
ele se enforca.. nas cordas de minhas palavras.


Rebecca Morac.